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Uma caixinha de preciosidades


Eu queria, de verdade, colocar em uma caixinha alguns momentos e algumas pessoas. Guardá-las bem perto do meu coração. É tão ruim perdermos quem amamos. É revoltante. Não podemos fazer nada. A vida tem dessas coisas, a gente nasce e aos longos dos anos vamos perdendo as nossas principais referências. Com o tempo, não sentimos mais o cheirinho de café e bolo de chocolate das nossas avós, não escutamos mais os conselhos dos nossos avôs, perdemos um pouco da alegria de alguns tios e tias, ou seja, perdemos aquele abrigo que tínhamos quando éramos crianças. Perdemos um pouco a referência dos dias de natais, festas de aniversários. 

Era tudo tão mais legal quando éramos crianças. De repente, a vida vai se tornando mais séria e ao mesmo tempo mais insegura. Vamos descobrindo as partes obscuras do mundo, das pessoas. Percebemos que os nossos pais não são os heróis que sempre acreditamos que eram. Não que sejam os vilões da história, longe disso, mas são de carne e osso. Podem quebrar, podem errar. Continuamos precisando do colo deles, mas a cada dia que passa, vamos menos para ele. Começamos a construir as nossas histórias, os nossos caminhos e nada disso é fácil. Há alguns anos a nossa principal decisão era qual brinquedo levar para o colégio, hoje decidimos por caminhos que acarretarão consequências muito maiores do que não termos escolhido um brinquedo tão legal. 

É bom crescer. É bom amadurecer. É bom caminharmos com as nossas próprias pernas. Mas é triste que para isso tenhamos que abdicar de pedaços da gente. Nada é como antes. Nada nunca será como antes. Perdemos um pouco de nós mesmos ao longo dos dias, dos anos, mesmo que encontremos outros pedaços que ainda não estavam preenchidos. E vamos vivendo assim, perdendo e ganhando, reconstruindo vazios e tampando outros. Todos nós somos grandes estações principais com embarques e desembarques, sofrimentos e sorrisos, vivendo de saudades e a esperança de um dia encaixarmos cada quebra-cabeça nosso que se perdeu durante a trajetória do viver.  

Christina Corrêa da Fonseca.

Relacionamentos são complicados...


Bem-vindos ao meu mais novo espaço! Espero poder compartilhar por aqui muitos dos meus textos, pensamentos e reflexões. E nada melhor que começar falando de amor, não é mesmo? Ao meu ver, o amor é o sentimento mais lindo que poderia existir. Ter a capacidade de amar, já é algo surpreendente. Triste daquele que passa a vida sem um amor. Mas sabemos que nem tudo são flores quando se trata do coração. Já dizia a minha avó: Relacionamentos são complicados. E quando dizia "relacionamentos", falava de maneira geral, não somente da relação de casal.
A gente tem mania de depositar muita confiança no outro, de cobrarmos perfeição. O amigo, não precisa ser apenas amigo, precisa ser sincero sempre, estar presente em todas as festas de aniversário, não errar nunca. Um erro bobo é o suficiente para se achar que nem tão amigo ele é. A mesma coisa em relação a pais e filhos, marido e mulher, namorado e namorada.
A gente quer sempre o melhor do outro, mas esquecemos que o outro é humano também, assim como nós. O outro erra, acerta, cai, levanta, aprende, ensina, tropeça e por mais que isso nos magoe, nos abale, precisamos entender que faz parte de todas as relações superar.
Ninguém é perfeito. Em algum momento, já erramos com alguém também, porque erros fazem parte desse mundo em que vivemos. Lógico que não vamos aceitar tudo, mas é preciso pensar e refletir, trabalhar o erro de acordo com toda uma história, não apenas um momento.
Cada pessoa que entra em nossa vida, carrega uma história, um aprendizado e esses aprendizados são diferentes dos nossos. E é isso que torna tudo tão complicado, porque conviver com as diferenças ainda nos causa medo e espanto.
Precisamos entender que o segredo de grandes relacionamentos está no simples ato de não desistir. Porque desistir é fácil, desistir é cômodo. E sempre vai ter alguém dizendo no nosso ouvido para desistir de algo. Mas o que importa na verdade é a nossa fé. A nossa fé no outro. A nossa fé na ideia de que todos estamos no mesmo barco e que também estamos aprendendo, construindo. E essa fé, meus amigos, se chama amor e essa é a forma mais sublime de amar.

Christina Corrêa.